
Outubro...
Outubro...Os dias passam iguais uns aos outros... Sinto a solidão, a tristeza tomar conta de mim... Toca no rádio do carro "Eu dava tudo para te ter aqui", e as lágrimas escorrem-me pela face... Que saudades sinto de daquele abraço sentido, de um beijo cheio de sentimento ou de puro desejo... Que saudades tenho de um corpo colado ao meu e que me provoque sensações, que me faça sentir qualquer coisa, algo, o que quer que seja, mas que provoque alguma reação no meu corpo, na minha alma vazia, tal como as páginas de um caderno por escrever... É assim que me sinto... Um caderno vazio, sem nada escrito, sem nada para escrever... E os dias passam...
Outubro...O frio começa a fazer-se sentir e lembro-me do quanto gostávamos de ouvir a chuva, do quanto adorávamos estar juntos em dias de mau tempo... Mas não sinto nada... Nem saudades tuas, nem... Nada... Completamente vazia... Por acaso encontrei-te no spot do costume e os nossos olhos cruzaram-se... Mas nada, não senti nada... Não tenho saudades dos teus abraços, de me chamares "bandida", nada... Nem uma palavra trocamos, mas também não sinto necessidade de cumprimentar alguém que me deixou sozinha, no momento em que estava mais vulnerável... Doente... Sou um caderno em branco, colocado numa estante, e não me importo... Estou vazia, desprovida de sentimentos, não sinto nada... Apenas saudades de algo verdadeiro... De um beijo, deum abraço, do calor humano...
Outubro...Mês de decisões... E que decisões... Decisões que me levaram a questionar quase uma vida inteira... Que me deitaram abaixo e me deixaram carente... E a carência é um sinal de fraqueza... É nos momentos de carência que os abutres aproveitam para esmiuçar, para tentar a sua sorte de alguma forma, só ainda para calcar no que já está ferido... E caraças! É preciso uma força descomunal para ainda lidar com isso, com tudo... Força essa que não tenho... Esgotada, cansada de tudo... Não sinto nada, estou vazia... Aproveitem para picar as minhas feridas e deixa-las a sangrar ainda mais... Gosto de ver o sangue escorrer e pensar no que acontece quando já não tiver mais para correr, não tiver mais nada para picar, não tiver mais nada... Para nada...
Outubro...
Isabela Silva - 20/10/2022
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